Viva o mau-caratismo

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ouvi essas três pérolas, uma seguida da outra, agora na hora do almoço, no meu radinho:

Oopsy daisy, I hurt you again
Crushed your heart in the palm of my hands
If you walk out, baby, I’ll understand
‘Cause all I’ll do is hurt you again
(Yeah, and again, and again)

- Chipmunk

Now listen to me, baby
Before I love and leave you
They call me heart breaker
I don’t wanna deceive you
If you fall for me
I’m not easy to please
I might tear you apart
Told you from the start, baby, from the start
I’m only gonna break break your break break your heart

- Taio Cruz

Take your number, never call
Bite the apple, take your heart
Let’s have a party, oh!

- Sugababes

Deixando de lado a pobreza do tipo de música que eu ando escutando ultimamente (aqui não tem rádio decente de rock, a culpa não é minha) –

WTF???

Quantas mais músicas vão aparecer nos Top 40 em que o… er, artista anuncia, com esse tonzinho smug, que vai deixar o outro de coração partido? Desde quando virou bonito tratar gente feito lixo? Perdi alguma coisa?

Que ardam no fogo do inferno todos os narcísicos cruéis desse mundo.

(Comecei o ano de bom humor, yeah.)


Resolução de ano novo

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Encontrar tempo para escrever.

Nos vemos do lado de lá.


Mudaram as estações, nada mudou

terça-feira, dezembro 15, 2009

Sumida, eu? Não, queridos. Essa vista que vocês veem pela janela, mudando rapidamente de campos floridos para árvores avermelhadas para cinzentice geral, é nada além de um recurso cinematográfico usado para simbolizar a passagem do tempo quando não há nada acontecendo que valha linhas no script.

Três meses depois e ainda nada de relevante para contar, mas já que vocês estão aí, pipoca em mãos e esperando o desenrolar da coisa, aqui estou — para falar sobre a grande vantagem do inverno.

Ladies and gentlemen, o frio me faz me sentir atraente.

Surreal, considerando-se o quanto ando enchendo a cara de chocolate e afins. Mas eu acho que é uma combinação de fatores: usar cachecóis charmosos, a maquiagem permanecer intacta durante o dia, o perfume durar mais (e aqui a gente pode usar eau de parfum sem dó nem piedade), a sensação aconchegante de entrar num ambiente aquecido vindo de fora, com as bochechas coradas.

Beber quantidades maiores de vinho tinto também ajuda. E as blusas quentinhas escondem os excessos.

O verão só é uma estação sexy pra gente malhada perto da praia, desculpa. O resto de nós sua, se descabela e tem de usar roupas pouco lisonjeiras no ambiente urbano. Além do mais, cerveja é a mãe da peste pra barriga. (Eu nego tudo o que escrevi aqui.)

E acho que nem preciso brigar pra convencer ninguém de que é SEM NOÇÃO ter de vestir biquíni na mesma temporada em que comemos ceias de Natal e ano novo, certo?

Feliz inverno.


London calling

segunda-feira, setembro 14, 2009

Demora-se um pouco para virar parte da fauna local quando se muda de país (/estado/cidade/bairro). Mas, uma vez cruzado o portal, é muito fácil perder aquele interesse curioso que têm os forasteiros. A gente para de observar. Quase sempre é preciso alguém de fora para abrir de novo os nossos olhos para as particularidades do nosso cantinho do mundo.

Meus pais acabam de deixar Londres depois de oito dias de intensa atividade turística. É a segunda visita deles desde que mudei para cá e tínhamos combinado que, dessa vez, seguiríamos uma programação leve, caseira, com tempo para relaxar. Não funcionou, é claro; a cidade nos seduziu e viramos, de novo, seus andarilhos. E que bom que foi assim. Uma delícia redescobrir por que é que a gente se apaixonou um dia, quando o relacionamento já caiu na rotina.


Amigos de copo

quinta-feira, agosto 27, 2009

Fui abençoada, no passado, com grandes amizades no meu local de trabalho. Por conta disso, era fácil equilibrar a vida social com o tempo na caverna que me é tão indispensável à sobrevivência: bastava aparecer na redação, algo que eu estava sendo paga para fazer de qualquer forma, e pronto — socialização consumada.

Sím, nós tínhamos (um pouco de) vida coletiva fora daquele prédio, mas essa era mais a exceção do que a regra. Afinal, passávamos um número estúpido de horas respirando o mesmo ar de segunda a sexta. Não só trabalhando, é claro. Almoçando, jantando, fofocando, fumando, tomando café, fazendo a unha e, até, vendo novela. Sair pra beber era um bônus, não um item necessário para que a amizade pudesse existir.

Aquela era acabou. Desde que saí do Brasil, minhas amizades presenciais se dividem em três grupos:

- Uma turma cuja população flutua entre oito e 12 indivíduos; nos encontramos cerca de uma vez por mês em eventos de longa duração envolvendo quantidades assustadoras de bebida.

- Casais que moram longe, com quem passamos fins de semana espaçados aqui e ali, consumindo quantidades assustadoras de bebida.

- Ex-colegas de trabalho, agrupados e avulsos; o programa básico é happy hour que se estende até o pub fechar – depois de ingerirmos quantidades assustadoras de bebida.

Verdade seja dita, eu me forço a ver gente com mais frequência do que a minha vontade de sair manda. Meu grau de interação ideal com o mundo é aquele que descrevi ali em cima, que deixa para mim mesma um mínimo de tempo para recarregar a pilha. Mas vá lá, eu não quero virar uma ostra por completo, por isso me esforço. O problema é essa cultura de atolar a fuça em álcool em troca de uma vida social. O que faz mais mal à saúde, cirrose ou solidão?