Passou o tempo de rir, e estou de volta ao tempo de chorar. Chorar muito, copiosamente. Pela rotina medíocre a que volto, um mundo habitado por Andies e tarefas banais, mecânicas, burocráticas, engessadas, inúteis e cinzentas. Pela resignação ao fato de que eu escolhi viver longe das pessoas que fazem de mim península e não ilha. Pelo reconhecimento de que foram as minhas próprias decisões que me trouxeram até aqui, e, no entanto, não tenho como me arrepender de nada, porque o que preservei é tão ou mais vital do que aquilo que deixei. Uma maldita escolha de Sofia.
Tirar férias é sempre como abrir uma brecha na cortina pra espiar fora e respirar um ar mais fresco – um rasgo que se fecha para que a labuta diária possa continuar, contida, atrás da trama. Mas a minha cortina é um tecido esgarçado por ânsia que remendo nenhum restaura. E há dias em que é muito difícil voltar à vida do lado de cá do pano, quando tudo brilha tanto do lado de lá.
Segunda-feira, Maio 19, 2008 às 12:52 pm |
Artona! Que visita boa! Obrigada! Vou linkar o seu no meu… E de pensar que esta história começamos juntas, lá em 2001, com você incentivando todo mundo a ter um blog. Lembra disso? Pois é… Vi ontem uma peça por aqui que se chama “Bartleby”, que trata justamente deste engessamento burocrático do homem contemporâneo. Mulher… às vezes não temos como fugir. Mas é certo que as coisas se movimentam constantemente. Força aí, muitas idéias e chocolates. Beijões e saudades! Mô