Pomo da discórdia

Ano passado, meu laptop, um Toshiba muito amigo e ainda na tenra infância, passou desta para uma melhor. Foi morte súbita, seguida de um defeito congênito, genético, quiçá, na placa-mãe. Levou consigo muitos pertences insubstituíveis. Músicas. Fotos. Escritos. Configurações precisas obtidas ao acaso e, portanto, irrecuperáveis.

Fiquei ressabiada e ressentida. De coração partido. Decidi que, dali pra frente, só me entregaria novamente a um computador robusto, confiável, que soubesse me amar como eu a ele. Resolvi que ia partir pro lado de lá da força e comprar um Mac.

O marido não estava bem convencido da necessidade. Tive de fazer campanha. Afinal, eu precisava justificar o alto preço de alguma maneira. Praticamente dei a entender que não precisaríamos trocar de máquina pelos próximos quatro séculos. Prometi deixá-lo instalar todos os jogos que quisesse. Andei sem roupa pela casa por uns três dias. Etc.

Agora eu tenho um iMac. Processador de 2.8GHz. Dois giga de memória. HD de 320GB. Mighty Mouse. Controle remoto. Teclado fino como papel. Lindo, inteligente, muderno, esguio, bacanudo, versátil, potente. Só falta preparar o jantar. E eu o odeio do fundo do coração.

Não é problema de adaptação. Já faz seis meses que o bicho mora em casa, mas pra mim ele ainda é um alien. Me aproximo dele como a um banheiro público. Qualquer tarefa que precise ser bem-feita eu faço no trabalho, só por garantia. Uso o teclado estúpido com a ponta dos dedos, porque as teclas não têm profundidade nenhuma e eu me sinto operando um brinquedo. A tela é grande demais. Os downloads nunca param onde eu quero. As configurações avançadas da impressora aparecem a partir do Firefox, mas do Pages, não.

Eu sei que posso admitir meu erro, comprar um PC e acabar com a agonia. Mas agora virou questão de princípio. Nós vamos ter de aprender a nos dar bem. Nem que eu tenha de instalar Windows e usar escondido.

4 Respostas para “Pomo da discórdia”

  1. Fernanda Veiga Disse:

    Resolvi sacodir a poeira e fazer algo que sempre desejei. Patinar… Me inscrevi num curso e estou amando. Vou fazer o nivel 3 em junho. Quer vir? Nao precisa ter patins, pode alugar da escola. Me sinto livre, leve e louca e completamente feliz quando estou patinando.

    Sem falar que espero ficar super malhada…hahaha… Breve de shortinho pelo parque… hahahah

    Beijoca

  2. Mrs G Disse:

    Que bom que você está curtindo! Eu não consigo nem parar em pé em cima de patins… eu deveria ter tentado quando era criança e tinha menos medo de cair. Acho que preciso encontrar um esporte mais “pé no chão”, hahahahaha! Voltar a dançar, provavelmente. E você não precisa de malhação extra, já está lindíssima. Use a patinação pelos outros benefícios já citados ;) Montes de beijos!

  3. Mano Véio Disse:

    Hwahahahahahahahahahaha!!!….

    Se essa maçã fosse boa não tinham dado uma mordida, deixado e tentado passá-la adiante! :D

    PS.: Não acho tio Bill bonzinho e camarada também…

  4. Mrs G Disse:

    Cara, eu até acho que a maçã é boa. Só não é pro meu gosto. Tipo jazz. Eu posso reconhecer o valor artístico de um Coltrane, mas isso não quer dizer que eu não tenha vontade de dar um tiro na cabeça quando sou forçada a ouvi-lo :P

Deixe um comentário