Das incongruências do matrimônio

Casamento é divertido, quentinho e faz bem pra saúde, mas nem tudo é perfeito, como é de conhecimento geral. Saia por aí perguntando e ouvirá preleções interessantes sobre a divisão dos afazeres domésticos, a administração das finanças, o regime sexual, a educação da cria.

Do alto das minhas bodas de oito meses, ainda não deparei com esses obstáculos. (Ou não mais, depois de treinar o marido a botar o lixo pra fora.) Apesar disso, não estou isenta de dificuldades. Pessoalmente, minhas picuinhas com essa milenar instituição social são duas: minha sogra e a escassez de Espaço Individual.

A velha é ruim pra caralho, vai durar pra sempre. Ou seja, não há nada que eu possa fazer a esse respeito, a não ser rezar e sentir pena de mim mesma. Mas pelo Espaço Individual (assim mesmo, com maiúsculas), é possível lutar.

Na minha casa nós tomamos café da manhã juntos, cozinhamos juntos, vemos TV (er, DVDs no computador, porque não temos TV) juntos, lemos na cama juntos. O que é uma delícia 99% do tempo. Mas as minhas células eremitas choram de saudade daqueles momentos de absoluta solidão em que eu podia tomar café, cozinhar, ver filmes e ler em perfeito silêncio. Não que a solitude mude essas atividades de maneira prática – é mais uma sensação de estar em retiro espiritual. Só eu e mim mesma, e Deus (ou Deusa. Ou deuses. Sei lá eu).

Foi por isso que, quando Mr G disse que iria viajar nesse último fim de semana para a despedida de solteiro de um amigo, botei um círculo vermelho no calendário e comecei a contagem regressiva: 180 dias, 179, 178… Me preparei adequadamente. Fiz reserva num hotel spa, botei montes de leituras na mala.

E sábado foi mesmo um dia iluminado.

No domingo eu não via a hora de ele voltar pra casa.

Oito meses e o Espaço Individual já não é mais o mesmo.

4 Respostas para “Das incongruências do matrimônio”

  1. Maria Fernanda Disse:

    primaaaa pelo que eu ouço por aí é assim mesmo. Acostumamos com a outra pessoa ainda mais no começo do casamento, pelo fato de tudo ser bom e novo…..mais de vez em quando nos dá a sensação de que precisamos ficar só tb pra nos encontrarmos saber se estamos pensando certo, fazendo o que gostamos….pode ser q até precise deste tempo… mais logo, logo começa a sentir a falta da outra pessoa como se algo nao estivesse completo…. acho que todo mundo necessita de solidão mais principalmente de um companheiro.
    adorei os comentários…mto legal…bjinhos e continue com um bom casamento!
    ahhh manda bjos para o Rob tb ok?

  2. Mano Véio Disse:

    Seja bem-vinda! Não se preocupe, é assim mesmo. Já passei por isso umas tantas vezes. Seu instinto de individualidade vai se transformar um pouco e às vezes o simples fato de vocês estarem sob o mesmo teto, mas em ambientes distintos fazendo coisas diferentes já vai saciá-lo o suficiente para que você mantenha sua sanidade mental.

    Querendo trocar uma idéia a esse respeito estou aqui para acabar com todos os seus temores e nóias sobre esse tema. :D

  3. Lila Disse:

    Awww =)

  4. Aline Disse:

    Minha sogra mora a uma quadra daqui e já enche o saco, jamais conseguiria dividir o mesmo teto com ela. Se ela fosse na dela, e não agisse como se tivesse direito de mandar por ser mãe do maridão, eu não pensaria assim. Mas não, entra sem ser convidada, muda as coisas do lugar, esta sempre dando palpite, e vive se convidando para nossos passeios. Já peguei ela no pulo mexendo nos meus armários, e guarda roupas.
    Sem falar do meu marido amamãezado que não consegue ir na esquina sem convidar a mãe controladora.
    Aff!! Meu maravilhoso casamento de 3 anos parecia bom demais para ser verdade. Sabia que tinha que ter uma pedra no caminho para compensar isso.
    Meu esposo é maravilhoso, cozinha melhor que eu, me ajuda nos deveres de casa, é manso e carinhoso, não tem vícios, só sai comigo, é super romântico, sempre procura agradar. Não!! Ele é único!!
    .
    Mas minha sogra, aff!

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