A minha viagem da nova casa pro trabalho, e de volta, leva duas horas. Quatro horas por dia quase perdidas, não fosse pela parte mais longa da jornada, que me permite um assento no trem e, portanto, leitura, por cerca de uma hora pra cada lado. Nos demais trechos eu alterno entre corridas até outras estações ou plataformas e um Espaço Individual de uns 40 centímetros quadrados dentro do metrô mais quente e superlotado da face da Terra (e sim, eu já andei na linha leste-oeste em São Paulo às 5h da tarde).
As vantagens de morar no meio do mato são que a casa é espaçosa e a vizinhança, silenciosa, as escolas da região são aparentemente ótimas (praqueles filhos que eu ainda não tenho, lembra?) e pelo mato em si — o ar é puro e temos um jardim amigo com gramado e arbustos e árvores e o gato da vizinha, que gosta de deitar no nosso canteiro de flores e dormir o dia inteiro. (A vida dos meus sonhos, tirando os insetos.)
Tendo realizado essa corrida dos infernos por duas semanas e meia, sentindo com uma raiva especial das pessoas imbecis com quem trabalho por esses dias e estando à beira de um ataque de nervos (vide os quatro últimos posts; aliás, vide esse blog inteiro), me dei de presente um dia de folga. Pensei em todas as horas desperdiçadas no forno do transporte público, na maneira indigna como volto para casa todos os dias, suada e descabelada, e decidi que hoje eu colocaria uma toalha na grama e passaria o dia lendo revistas ao sol e não fazendo nada.
Como era de se esperar, o tempo que faria as minhas idas e vindas mais humanas se materializou justamente quando eu não preciso dele. Está frio, chovendo e cinzento. Duvet day, então? Sim, seria a solução perfeita, se eu tivesse uma cama de verdade. Internet? Ainda não foi reconectada (serviço de primeiro mundo!), então para escrever aqui e checar meus emails tive de comprar créditos e acessar a rede sem fio local.
Obrigada, verão inglês, por adicionar mais um grau no meu insanômetro.
Quarta-feira, Julho 2, 2008 às 4:16 pm |
Lembre-se, minha linda, que os supostos grilhões que a prendem estão apenas na sua cabeça. Se conseguir fechar a renda do mês com outros planos mais agradáveis (e pense que, se for em casa, você mais tempo para produzir), coloque-os em prática!
O arrependimento por não ter feito é doloroso e venenoso. Pense, planeje com cuidado, mas faça!
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 2:27 pm |
Ah, meu amigo, mas não é beeem assim. Há grilhões geográficos, biológicos e financeiros nessa jogada. Mas concordo com você que, se eu não arriscar um dia, vou morrer azeda e seca.
Pensamento do dia que recebi hoje por email: “Para descobrir novos oceanos é preciso ter coragem de perder a praia de vista.” Hmmm.
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 3:51 pm |
Mas é como eu disse antes, é preciso fechar as contas antes de arriscar para que a parte financeira continue fluindo e você fique feliz com as novas empreitadas sem ficar enlouquecida com as dívidas. Acho que ainda vou fazer um post sobre esses assuntos pra você ficar sabendo de algumas coisas que passei nesse sentido…
Sábado, Julho 12, 2008 às 8:57 pm |
Trem lotado, casa longe do trabalho e chuva no feriado. Você poderia ter tudo isso se tivesse ido morar em Mogi das Cruzes. Pelo menos não ficaria tão longe dos amigos…
Segunda-feira, Julho 14, 2008 às 5:27 pm |
Verdade maior não há, meu querido. E sem a parentada from hell!