Quem dá menos?

Eu decidi um tempo atrás que essa seria uma boa hora para tentar me estabelecer como frila. Afinal, enquanto estamos por aqui não precisamos nos preocupar com o financiamento da casa, que está alugada — o que me dá a flexibilidade de poder, aos poucos, fazer contatos e construir uma clientela. Com trabalho suficiente e regular, eu deixo de depender da geografia e posso dizer adeus a chefes e trens.

Tudo funciona muito bem na teoria, mas a prática está se mostrando um pouco mais difícil.

Talvez eu tenha perdido essa ‘evolução’ dos tempos, ou talvez essa moda não tenha chegado ainda ao Brasil, mas estou dando de cara, pela primeira vez, como o sistema de leilão de freelance. Funciona assim:

1. A empresa/editora/veículo publica o trabalho num ou mais bancos online, especificando suas necessidades. Por exemplo: “Revista americana procura jornalista para uma série de quatro reportagens especiais sobre baleias. 15 mil caracteres cada.”

2. Profissionais de qualquer lugar do mundo têm acesso à listagem e podem entrar na concorrência. John Smith, de Nova York, diz que entrega o material em seis semanas e que cobra USD 5 mil pelo pacote. Sandeep Patel, de Mumbai, pede USD 2 mil pelo serviço, com turnaround de um mês. Su Zhi Xiao, de Pequim, promete o trabalho em 15 horas, por USD 200. E se você ligar agora ele ainda joga umas camisetas no negócio.

3. Empresa/editora/veículo contrata Su Zhi Xiao.

4. Sandeep Patel não liga, porque recebeu uma oferta para dar suporte técnico por telefone para um provedor de internet britânico.

5. John Smith morre de fome.

Não digo que *todo mundo* esteja trabalhando assim, até porque ainda existem jornalistas vivos nesse país. Mas, à primeira vista, o cenário é sombrio. Quase chego a repensar chefes e trens.

5 Respostas para “Quem dá menos?”

  1. Matuza Disse:

    Não desista, querida! Veja que em meio à sua busca você pode acabar descobrindo algum nicho interessante e que pague algo aceitável. Persista!

  2. Mograbi Disse:

    sandeep patel é parente do pi?
    não tinham se afogado todos?

  3. Anna C. Disse:

    O jeito é usar a famosa tática-sutiã (você já escutou essa?) e, conforme citado acima, achar seu nicho. Ou então oferecer umas camisetas a mais que o chinês do exemplo :D .

  4. Mrs Ana G Disse:

    Hey, Mrs G, sou brasileira, ex-jornalista, casada com ingles. Eu e Mr G moramos em Londres. Passo pelo menos duas horas e meia do meu dia em trens porque o escritorio onde trabalho fica na zona 6 da cidade, numa area verdissima, parecida com a que voce morou aqui, acho. Sao 7 horas de “numb minding activities” por dia, e meia hora de almoco-nem-sempre-frio ja que eles servem sopa entre as muitas “take-away options” que voce citou aqui. Nao, eu nao sou louca, nem virei Luciana Gimenez ainda (acentuaria as palavras se tivesse acesso ao codigo HTML). Trabalho (duro) como “web producer” e ando ensaiando para “soltar os monstros” de novo, aliviar a “sobrecarga e tagarelar sobre o nada” (voce pode imaginar), mas falta… tempo? Nao sei, acho que nao sou uma pessoa muito pratica. “Anyway”, costumava escrever em meu falecido blog sobre muitas coisas que li aqui; dediquei varios “posts” ao rei Henrique VIII (a-do-ro ler sobre ele). Enfim, fiquei feliz de encontrar um site com excelente textos… Quando voltar a comentar, espero deixar um link com o meu nome… Ate!

  5. Mrs G Disse:

    :-O Spooky!!! Se você tivesse se mudado pra Califórnia também, eu acharia que nós somos a mesma pessoa!

    Eu sou sem-vergonha e escrevo muito menos do que gostaria, mas, para mim, escrever é um trabalhinho de jardinagem cerebral — a gente tem de arrancar as ervas daninhas pro resto continuar funcionando. Então, bora lá ressucitar seu blog! Depois volte aqui pra me contar como chegar lá :)

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