Meus três tipos desfavoritos de gente: corretores de imóveis, mulheres sedentárias sem celulite e “profissionais de RH”.
Os dois primeiros serão poupados por hoje, porque estou boazinha. Os últimos me irritaram e vão pra forca.
Pra começo de conversa, nem nome de verdade essa profissão estúpida tem. Alguém por acaso diz que é “operador de jornalismo” ou “agente da medicina”? Não. Mas, em RH, é sempre assim. Diretor de RH, analista de RH, consultor de RH, a vaca do RH. E você fica achando que RH é um universo místico, uma inesgotável fonte de elementos preciosos, essenciais para o desenvolvimento, a sobrevivência e o conforto da civilização, algo que depende da manipulação de iniciados.
Hora da verdade: a assim chamada “gestão de recursos humanos” pertence à classe da “gestão de recursos financeiros”. O princípio básico é exatamente o mesmo – os recursos pertencem à empresa. Assim, podem ser auditados, investigados, inspecionados e manipulados como os “gestores” bem entenderem; alguns são vistos como investimentos, outros formam a base sólida da empresa, muitos são desperdiçados; empresas não gostam quando seus recursos vão parar na concorrência et cetera.
A última da empresa onde eu trabalho é uma medida para cortar o número de sickies. Um documento de seis páginas, sem contar os formulários anexos, foi distribuído hoje pela menina do RH. O propósito do calhamaço é revestir de corporate bullshit e uma burocracia horrenda um procedimento que costumava ser descomplicado – ficar doente, ligar pro chefe, melhorar, voltar a trabalhar. Simples.
Agora funciona assim:
- O funcionário doente deve ligar para a firrrma até no máximo 9h30 da manhã avisando que está doente.
- O recado deve ser dado ao chefe imediato ou ao RH, para quem a natureza da doença ser explicada, e uma previsão de retorno dada.
- Colegas não podem ser usados como mensageiros. Se a ligação for feita antes de as pessoas acima chegarem, o funcionário deve gravar um recado ou mandar um email com telefone de contato. O chefe ou RH fará uma ligação, obrigatoriamente.
- Recados deixados por familiares e amigos não serão aceitos a não ser que o funcionário esteja não apenas hospitalizado, mas impossibilitado de falar.
- Caso o problema dure mais de um dia, relatórios telefônicos sobre o andamento da enfermidade são exigidos.
- Ao retorno ao trabalho, o funcionário deve preencher um formulário e entregar ao RH, dando todo tipo de detalhe sobre o período de afastamento. Na seqüência, passará por uma entrevista com o chefe imediato, que deverá, por sua vez, preencher um outro formulário. Todos os documentos são arquivados nos registros do pobre infeliz para todo o infinito sempre.
Isso é só para coisinhas simples – uma diarréia, uma enxaqueca, uma gripe. Qualquer coisa que dure mais de 7 dias corridos envolve um processo que vocês não querem nem saber.
E essa é só mais uma gota no copo de peçonha do nosso RH. Por aqui, o clima é de total cuidado com a cuca, que a cuca te pega. Em janeiro, investiram libras pra caralho para instalar um sistema de ponto que marca não só nosso horário de entrada e saída, mas as idas ao banheiro também. Mês passado baniram todas as formas de messenger e instalaram um programa de comunicação interna cuja mensagem de abertura é “IT are watching you”.
E depois não sabem por que nego fica doente.