Terça-feira, Agosto 25, 2009
Muitas decisões importantes tiveram de ser tomadas antes de Mr G e eu percorrermos de braços dados a distância entre o altar e a avenida Dr Arnaldo: onde iríamos morar, se teríamos contas conjuntas ou separadas, com que frequência veríamos a minha adorável família e aturaríamos a dele. E se teríamos uma TV.
O flatmate dele tinha uma, os meus também. Mas ao juntarmos as nossas escovas de dente (elétricas, ressalto, antes que alguém pense que somos um casal amish), resolvemos adotar o movimento ludita de leve — e viver sem a caixa mágica.
O plano era tão bonito que, ao ler esse parágrafo, peço que sonalizem (um visualizar auditivo!) a música-tema de Love Story. Nós iríamos ter conversas íntimas e/ou inteligentes à mesa. Não nos tornaríamos um daqueles casais que comem na frente da televisão. Seríamos um exemplo para os nossos amigos.
O ponto que deveríamos ter considerado é que a vida não se faz apenas de horas do jantar. Pessoas normais ocasionalmente acordam com várias horas de distância uma da outra num domingo. Também existem as noites em que um sai com os amigos/vai jogar futebol/trabalha até tarde e o outro fica em casa sozinho. E às vezes, simplesmente, você tem de admitir que não há felicidade plena sem Dexter.
Demorou para eu convencê-lo de que estava na hora de desistir do nosso ideal romântico e comprar uma TV. Fui acusada de trair a causa e de “não ter assunto”. (As if. Eu sou feita de assuntos, baby.) Mas aqui estamos. Quase dois anos depois e finalmente aderimos ao… er, hm, mundo real. E juro que ontem vi um sorrisinho nos lábios dele enquanto assistia ao seu programa humorístico favorito. Com o prato de comida no colo.
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Domesticidades | Etiquetado: casamento, cultura de massa, decisões, ideais, romantismo, televisão, TV |
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Escrito por Mrs G
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Casamento é divertido, quentinho e faz bem pra saúde, mas nem tudo é perfeito, como é de conhecimento geral. Saia por aí perguntando e ouvirá preleções interessantes sobre a divisão dos afazeres domésticos, a administração das finanças, o regime sexual, a educação da cria.
Do alto das minhas bodas de oito meses, ainda não deparei com esses obstáculos. (Ou não mais, depois de treinar o marido a botar o lixo pra fora.) Apesar disso, não estou isenta de dificuldades. Pessoalmente, minhas picuinhas com essa milenar instituição social são duas: minha sogra e a escassez de Espaço Individual.
A velha é ruim pra caralho, vai durar pra sempre. Ou seja, não há nada que eu possa fazer a esse respeito, a não ser rezar e sentir pena de mim mesma. Mas pelo Espaço Individual (assim mesmo, com maiúsculas), é possível lutar.
Na minha casa nós tomamos café da manhã juntos, cozinhamos juntos, vemos TV (er, DVDs no computador, porque não temos TV) juntos, lemos na cama juntos. O que é uma delícia 99% do tempo. Mas as minhas células eremitas choram de saudade daqueles momentos de absoluta solidão em que eu podia tomar café, cozinhar, ver filmes e ler em perfeito silêncio. Não que a solitude mude essas atividades de maneira prática – é mais uma sensação de estar em retiro espiritual. Só eu e mim mesma, e Deus (ou Deusa. Ou deuses. Sei lá eu).
Foi por isso que, quando Mr G disse que iria viajar nesse último fim de semana para a despedida de solteiro de um amigo, botei um círculo vermelho no calendário e comecei a contagem regressiva: 180 dias, 179, 178… Me preparei adequadamente. Fiz reserva num hotel spa, botei montes de leituras na mala.
E sábado foi mesmo um dia iluminado.
No domingo eu não via a hora de ele voltar pra casa.
Oito meses e o Espaço Individual já não é mais o mesmo.
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Confissões, resmungos e lamentos, Domesticidades | Etiquetado: casamento, Deus, espaço, finanças, livros, saúde, sexo, silêncio, sogras, solidão, spa |
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Escrito por Mrs G