Calorias ansiolíticas

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Eu não gosto de regras e rotinas rígidas, mas às vezes um pouco de orientação até que iria bem.

Por exemplo: quão cedo é aceitável sair pra almoçar ser parecer uma loser morta de fome – depois de ter comido dois saquinhos de M&M’s de amendoim no meio da manhã?


Plantão de ano novo

Domingo, Janeiro 4, 2009

Da editoria de economia

Entrei o ano bem, queimando 400 conto em creminhos. O problema é que eu preciso fazer estoque, porque na minha terra não tem Natura. E agora eu vou começar a usar Chronos. Daqui pra frente é ladeira abaixo, como delicadamente me avisou um flatmate quando eu fiz 25. (E isso já faz três anos.)

Da editoria de turismo

Ainda não vi nada de São Paulo — nem acho que irei. Cheguei, fui levada para o interiorrrr e, agora, ganhei um único dominguinho na capital antes de ir para a praia tomar chuva. Plano pra hoje: almoçar com a família, visitar a parentada e, provavelmente, continuar comendo até explodir, o que parece ser a regra cada vez que eu venho para cá.

Da editoria de esportes

Ã-hã.

Da editoria de cotidiano

Marido voltou pra casa dia 1° e agora temos seis horas de fuso entre nós. É a coisa mais bizarra, tanto pela familiaridade do relacionamento a distância, que eu julgava ter ficado no passado, quanto pela estranheza de o meu dia começar antes que o dele (sempre foi o contrário).

Do caderno 2

Já estou totalmente por dentro de A Favorita e passadíssima porque vou embora antes de a novela nova começar. Bendito seja Deus por eu não ter assinatura da Globo internacional ou eu não iria fazer mais nada da vida. E se alguém ainda não assistiu ao programa O Melhor do Brasil, na Record, eu recomendo. É a coisa mais trash que eu vi nos últimos tempos.


Enquanto isso, em uma nada cool Britannia

Segunda-feira, Julho 28, 2008

A contagem regressiva para a viagem chegou naquele ponto em que cada semana demora um mês pra passar. As passagens foram marcadas, o empacotamento encontra-se em estado avançado e a maior parte das despedidas já passou. Agora, é esperar. O trabalho acaba na quinta. No fim de semana, Maracugina (sic) e sogra em quantidades proporcionais. O vôo sai segunda às 15h10 e, depois disso, é tudo um grande mistério. Mas sem sogra. Sem. So-gra.

Enquanto isso, o verão segue a toda, fritando a pele e derretendo o cérebro. Verão, aqui, é aquela época do ano em que todas as mulheres usam Havainas (as legítimas) pra trabalhar e acham que tudo bem. A temporada é sinônimo de baldes de Pimm’s, casamentos, sorveteiros em vans, pernas brancas — e outras partes normalmente mais privadas do corpo — à mostra nos parques públicos. Carros conversíveis surgem como enxame ao primeiro sinal de sol. Os pássaros cantam, a grama domina o mundo, o governo proíbe o uso de mangueiras.

Para mim, mais do que tudo, a estação é o que torna tolerável um dos mais insuportáveis hábitos ingleses: o almoço frio.

Todo mundo adora falar mal da cozinha inglesa, mas devo dizer que, depois de dois anos e meio morando na ilha, ainda não consegui me convencer de que o povo aqui come tão mal assim. Minto: come-se mal, sim, mas acredito que por opção. Londres, pelo menos, não difere de São Paulo em nada nesse quesito. Tem cardápio pra tudo o que é gosto, do mais trash kebab ao mais surreal mingau de lagostins, e comida de todas as nacionalidades possíveis. Se a comida inglesa típica não apetece, não faltam mesas que ofereçam alternativas mais sutis, mais saudáveis, mais ousadas. E se não está feliz, fogão, meu filho. Como em qualquer lugar do mundo. Como se arroz com feijão fosse a oitava maravilha do mundo, também.

O real problema da culinária local não é a culinária local, mas o desprezo que os locais parecem ter pela culinária antes das seis. Dita uma certa norma tácita que, na hora do almoço, em dia de semana, comem-se sanduíches. Wraps. Saladas de macarrão. Torta de carne de porco. Peão ou CEO, tanto faz — se não é almoço de negócios ou um luxo ocasional, os ingleses tiram seus repastos meridianos diretamente da geladeira.

Nos supermercados há prateleiras específicas para comes portáteis; ficam perto da porta, para economizar tempo. Além dos já citados “pratos principais”, há iogurtes com colherinha, pedaços de queijo em tamanho individual, pastéis indianos, mini-saladas de frutas, batatinhas. Ao redor dos escritórios, abundam cafés que servem esses e outros, er, quitutes pra levar, e até mesmo farmácias investem pesado no setor do almoço ambulante.

Pode-se argumentar que um alimento frio oferece as mesmas qualidades que a sua contraparte quente, mas meu estômago não se convence. Todo lanche tem gosto de improviso. Toda refeição fica com cara de piquenique.

Na minha equipe, eu sou vista como má influência porque arrasto os colegas pro pub uma vez por semana. Eu não sou louca por comida de pub — essa, sim, a típica comida gorda, nutricionalmente pobre e sem originalidade desta terra –, mas, como acaba sendo a minha única oportunidade de almoçar comida quente em dias úteis, abraço a chance com fúria. Fumacinha saindo do prato e comida servida à mesa são dois afagos psicológicos de que eu preciso.

Mas, no verão, tudo bem. Não ligo, e até gosto, de sentar num parque com as canelas pálidas à mostra e me espalhar pela grama fofa enquanto como meu lanche e um sorvete.

Pelo menos até segunda-feira.


Gráfico de aproveitamento de horas úteis

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Ou: Como passei meu dia, das 9h às 18h:

* http://www.miniclip.com/games/doodle/en/