Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
A Crise, para mim, era que nem o homem do saco — uma coisa levemente assustadora, mas que você, na verdade, não leva muito a sério. Até que o furacão passou e levou embora muito, muito rapidamente a melhor coisa que me aconteceu em anos: a minha fuga perfeita para um canto quentinho e feliz do planeta, longe das correntes de vento e de loucura que estavam deixando a minha vida gélida.
Assim, estou de volta à Inglaterra. Numa casa provisória no meio do absoluto nada, com metade dos meus pertences num guarda-volumes e o restante voando por aí; sem emprego, sem internet, sem casaco de inverno, sem a cama de quase dois metros de largura à qual inevitavelmente me afeiçoei. E, de tudo, o que mais me faz falta é uma certa fortaleza emocional que eu na verdade nunca tive, aquela capacidade budista invejável de abrir mão de todo desejo e todo apego, porque são eles, e não as mudanças, que nos fazem arrancar os cabelos (metaforicamente; não cheguei nesse ponto, ainda).
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Confissões, resmungos e lamentos, Corpo e mente, Estados Unidos, Vida expatriada | Etiquetado: apego, budismo, crise, desejo, desemprego, dharma, economia, frio, Inglaterra, inverno, mudança |
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Escrito por Mrs G
Segunda-feira, Julho 14, 2008
Por cima do mar de mesas ela vê o céu. O dia é de um cinza lívido. De tempo em tempo, revezam-se o frio e a chuva, como se tentassem cobrir entre eles, com recursos partilhados, as horas esparramadas do dia.
Expectativas, fantasias, planos, profecias. Que diferença há entre uma e outra? No fim das contas, estão todas contidas nela. Confinadas. Por mais alto que grite o seu desejo, ninguém lá fora consegue escutá-lo. Ou, se o faz, não liga a mínima, porque no mundo há fome e guerra e morte e desgraça. O problema dela é apenas o futuro.
Dentro dela os pensamentos são um peixe morto levado a nadar pelo sopro do motor de ar. Idéias do que foi ou poderia ter sido. Dor pelo que poderia vir a ser. Um desgaste sofrido e inútil. Quer desligar o movimento e poder cair inerte.
Ela continua girando na superfície, os olhos revirando no meio do aguaceiro, rezando, em sussurro, por uma pane que tire o motor de circulação. Porém o motor é ela quem controla. O motor é ela. E são ela o frio e a chuva que escurecem seus próprios dias. Mas ela continua a girar, porque sua fé — estúpida, injustificada e contra todas as provas em contrário — é persistente como erva-daninha.
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Continhos | Etiquetado: chuva, desejo, expectativas, fantasias, fé, fome, frio, futuro, guerras, morte, planos, profecias, sofrimento, tempo |
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Escrito por Mrs G
Quarta-feira, Abril 23, 2008
Manja um caso do passado que você acha que superou, e quando menos espera seu corpo está doente pra pular no dele?
Tô assim com cigarro.
Anos, cara, ANOS sem nem pegar na mão. Sabe Deus de onde veio essa fissura agora.
Porque eu virei ex-fumante de verdade, nada dessa pataquada de fumar “socialmente”, “de vez em quando”, “tão pouco que nem faz diferença”, “sem tragar”. Fumar um só é como dar o primeiro gole depois de uma temporada de AA, e eu nunca mais pus um na boca desde aquele Natal.
E, no entanto, estou tendo chamados.
Quando o frio de manhã faz todo hálito parecer fumaça.
Quando as noites esquentam e você pode sentar com seu querido no jardim.
Quando as poucas pessoas bacanas do trabalho vão fumar juntas e viram melhores amigas.
Depois de tomar o segundo copo de vinho.
Aliás, já durante o primeiro.
Não é que eu queira fazer apologia, mas o cigarro foi meu amigo. Me ajudou a conhecer gente, a desestressar, a parecer descolada (OK, pelo menos no ano em que essa palavra ainda era usada). Me deu algo o que fazer com as mãos quando eu estava nervosa demais pra dizer as coisas que precisava dizer.
E agora ando tão passada de desejo que só mesmo um cigarro pra aplacar a gana.
Ou isso, ou um banho frio.
***
PS: Nem pense em apertar esse botão dos comentários pra me “dar uma força”: Cigarro causa câncer. Cigarro fede. Cigarro mata. Você está indo tão bem que não vale a pena jogar fora o esforço. Blablablá.
Já sei de tudo isso. Me deixe em paz. Como se você nunca tivesse suspirado por um ex bad boy.
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Confissões, resmungos e lamentos, Corpo e mente | Etiquetado: AA, amizade, apologia, bad boy, chamado, cigarro, desejo, ex, fissura, fumantes, fumo, passado, vício |
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Escrito por Mrs G