Pós-hibernação

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Levei bronca, e com razão. A seca informacional nem faz justiça à quantidade de acontecimentos desde a minha última passagem por aqui.

Em geral, estive ocupada e enlouquecida: mudei de casa de novo; arrumei um emprego no começo de março; perdi, ganhei e recuperei amigos e encontrei umas boas e amestradíssimas sarnas para me coçar.

Aos poucos vou introduzindo detalhes sobre as novidades, mas, por ora, fiquem com o ensinamento do dia:

A raposa mais esperta e fugidia é quem faz a caça interessante. Mas não se iluda. O caçador quer a conquista, não a raposa. Não importa quão lustrosa ela seja.

You’re welcome.


As voltas do gigante

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Pra quem cresceu achando que Retorno de Saturno era um nome hippie para histeria de mulheres pré-balzaquianas, estou afetada demais pela coisa, eu acho. Se bem que isso não prova nada — talvez eu seja apenas mais uma quase-trintona louca querendo pôr a culpa nos astros. De uma maneira ou de outra, os fatos são que 1) esse ano eu completo 28 e 2) esse ano tá foda.

Nas últimas três semanas apenas eu cheguei à conclusão de que quero: abandonar o jornalismo e virar tradutora em tempo integral; fazer uma pós em Lingüística; escrever um romance; largar tudo e virar psicanalista; lançar uma revista independente; parar de trabalhar para criar os meus ainda não existentes filhos; não ter filhos; ter filhos desde que possa criá-los junto da minha família no Brasil; ter filhos desde que eu possa criá-los em uma sociedade menos materialista; ter filhos desde que eu possa criá-los em qualquer lugar do mundo longe da minha sogra; abrir um negócio pontocom; terminar amizades que me fazem competitiva e louca; alimentar ainda mais amizades que me fazem competitiva e morrer louca tentando provar que eu ainda sou tudo aquilo que comecei a ser, e larguei; vender a casa e comprar uma caixa de sapatos em Londres; vender a casa e comprar um sítio; me jogar de uma ponte; me jogar de um prédio alto; me jogar de um avião.

Pra que lado estou pendendo? Nem idéia. Amanhã eu nem reconhecerei esses impulsos. Esse ano tá foda.


A dor da ressaca

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Passou o tempo de rir, e estou de volta ao tempo de chorar. Chorar muito, copiosamente. Pela rotina medíocre a que volto, um mundo habitado por Andies e tarefas banais, mecânicas, burocráticas, engessadas, inúteis e cinzentas. Pela resignação ao fato de que eu escolhi viver longe das pessoas que fazem de mim península e não ilha. Pelo reconhecimento de que foram as minhas próprias decisões que me trouxeram até aqui, e, no entanto, não tenho como me arrepender de nada, porque o que preservei é tão ou mais vital do que aquilo que deixei. Uma maldita escolha de Sofia.

Tirar férias é sempre como abrir uma brecha na cortina pra espiar fora e respirar um ar mais fresco – um rasgo que se fecha para que a labuta diária possa continuar, contida, atrás da trama. Mas a minha cortina é um tecido esgarçado por ânsia que remendo nenhum restaura. E há dias em que é muito difícil voltar à vida do lado de cá do pano, quando tudo brilha tanto do lado de lá.