Quinta-feira, Novembro 20, 2008
Eu nunca tinha visto um deles ao vivo. Eles são magricelas, mas enormes. Altos, graciosos e com cinturinha de pilão. A Gisele dos cães.
Fui passar a mão, mas sem segundas intenções. Nem me passaria pela cabeça botar um bichão daqueles num apartamento. Mas adivinhe: segundo os especialistas, greyhounds são felicíssimos em espaços pequenos. Não apenas porque cresceram acostumados ao confinamento, mas porque têm um nível de energia tão baixo que passam a maior parte do dia dormindo!
Mas peraí. Greyhounds não são cães de corrida? Atletas viciados em adrenalina? Sim e não, disseram os voluntários. Eles são, sim, os cães mais velozes do mundo, mas não têm estâmina quase nenhuma. Eles correm feito loucos (a 65 km/h) por uns dois minutos, depois descansam pelas próximas 20 horas. Minha versão canina!
E é por isso, amigos, que a campanha continua. Já fui me informar sobre passaporte pra cachorros; li tudo possível sobre a vida pregressa dos ex-corredores; encomendei livros sobre a raça e coletei informações sobre banheiro de animais. Agora só falta convencer o marido. E o condomínio, que por regra não aceita cães com mais de 14 kg. Ratos!
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Escrito por Mrs G
Quarta-feira, Novembro 19, 2008
Meus requerimentos são simples, mas irrevogáveis:
1. Eu quero adotar um cão abandonado.
2. Eu não quero um filhote.
3. Tem de viver bem em apartmento.
4. Não pode ser poodle, chihuahua ou qualquer outro desses ratos que não calam a boca.
A bem da verdade, meu negócio sempre foi cachorrão. Mas, dada a limitação n°3, eu estava me conformando com a idéia de um vira-latinha médio ou um pug (feio, coitadinho, mas divertido).
Até que, sábado, fomos dar uma volta no shopping. O que encontramos? Um cercado cheio de greyhounds montado pela CalGAP, um grupo que promove a adoção da raça na Califórnia.
(A história continua. Güentaí.)
| Você sabia?
Os greyhounds, ou galgos ingleses, são treinados desde pequenos para participar de corridas. Aos 18 meses, começam a competir. A vida ‘profissional’ acaba quando o bichinho se machuca ou quando o dono percebe que ele não tem chances de vencer — em geral, entre os dois e os quatro anos de idade. Os que correm bem e se mantêm inteiros têm de ser aposentados, compulsoriamente, aos cinco.
Para onde vão os lentinhos, os machucados e os aposentados? Dezenas de milhares são exterminados, muitos deles ainda filhotes, porque não servirão pra competir. Outros são vendidos para laboratórios de pesquisa, usados para procriação ou exportados para corridas ilegais. Uma fração consegue chegar às mãos dos grupos de salvamento, que dão aos cães teto e comida provisórios e tentam encontrar famílias que os queiram.
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Escrito por Mrs G
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Casamento é divertido, quentinho e faz bem pra saúde, mas nem tudo é perfeito, como é de conhecimento geral. Saia por aí perguntando e ouvirá preleções interessantes sobre a divisão dos afazeres domésticos, a administração das finanças, o regime sexual, a educação da cria.
Do alto das minhas bodas de oito meses, ainda não deparei com esses obstáculos. (Ou não mais, depois de treinar o marido a botar o lixo pra fora.) Apesar disso, não estou isenta de dificuldades. Pessoalmente, minhas picuinhas com essa milenar instituição social são duas: minha sogra e a escassez de Espaço Individual.
A velha é ruim pra caralho, vai durar pra sempre. Ou seja, não há nada que eu possa fazer a esse respeito, a não ser rezar e sentir pena de mim mesma. Mas pelo Espaço Individual (assim mesmo, com maiúsculas), é possível lutar.
Na minha casa nós tomamos café da manhã juntos, cozinhamos juntos, vemos TV (er, DVDs no computador, porque não temos TV) juntos, lemos na cama juntos. O que é uma delícia 99% do tempo. Mas as minhas células eremitas choram de saudade daqueles momentos de absoluta solidão em que eu podia tomar café, cozinhar, ver filmes e ler em perfeito silêncio. Não que a solitude mude essas atividades de maneira prática – é mais uma sensação de estar em retiro espiritual. Só eu e mim mesma, e Deus (ou Deusa. Ou deuses. Sei lá eu).
Foi por isso que, quando Mr G disse que iria viajar nesse último fim de semana para a despedida de solteiro de um amigo, botei um círculo vermelho no calendário e comecei a contagem regressiva: 180 dias, 179, 178… Me preparei adequadamente. Fiz reserva num hotel spa, botei montes de leituras na mala.
E sábado foi mesmo um dia iluminado.
No domingo eu não via a hora de ele voltar pra casa.
Oito meses e o Espaço Individual já não é mais o mesmo.
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Confissões, resmungos e lamentos, Domesticidades | Etiquetado: casamento, Deus, espaço, finanças, livros, saúde, sexo, silêncio, sogras, solidão, spa |
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Escrito por Mrs G