Desemprego é um estado todo novo para mim. Sem chefe. Sem obrigações. Sem estresse. Sem deadlines. Acordar a hora que quiser (apesar de que, na minha idade, já não fico mais na cama depois das 10h nem com Lexotan). Passar o dia inteiro descalça. Ir pra piscina no meio da tarde. É a glória… e é estranho pra caralho.
Eu comecei com boas intenções: fiz uma tabela horária no Excel e planejei uma semana típica, com horário fixo pras refeições e pra outras atividades regulares, como exercício (boa menina que sou), estudos (o exame do DipTrans é em janeiro), aula de dança (de volta! yay!), trabalho voluntário (nada nas proximidades, mas oportunidades interessantes para trabalhar de casa).
Mas é difícil tentar organizar a vida quando tudo o que você faz é por opção. Que acontece se eu não for pra esteira hoje? Nada. Então vou me jogar no sofá e ler mais um pouquinho (umas 5 ou 6 horinhas, não mais). E o curso está em férias de verão, não tem pressa de estudar, tem? Vou gastar o resto do dia jogando conversa fora no MSN. O trabalho voluntário pode começar semana que vem, não pode? E por aí vai. Conexão expressa pro brejo.
Nem uma desempregada comum eu sou, porque não estou indo atrás de nada. Sabe aquela ansiedade que deveria haver para conseguir uma entrevista? Mandar 35 currículos por hora para qualquer lugar que diga ‘vagas’? Nada. Nix. Niente. Nothing.
Durante a minha única fase da lacuna entre empregos no passado, fiz frila até o umbigo alisar (expressão da minha mãe que, provavelmente, não foi concebida para ser utilizada nesse contexto) e mandei não 35, mas 70 currículos por hora, até estar com a minha carteira assinada de novo. (Figurativamente. Não assinaram a minha carteira.) Essa necessidade não existe, agora. Semana passada fiz uma pesquisinha de mercado, pra ver se conseguiria arrumar trabalho aqui por perto, e achei uma editora de revistas a dez minutos de casa. Com vagas. Em que isso mudou a minha vida? Em nada, porque não posso me candidatar até a bendita permissão sair. De volta ao nada.
E, ainda assim, chega o fim do dia e eu lembro que deveria ter preenchido um formulário X do meu cartão de crédito, ou que deveria ter ligado pra uma pessoa Y, e não tive tempo. Não tive tempo. Tem noção?! Como uma pessoa desempregada, que não está à procura de trabalho e está cabulando os estudos, pode não ter tempo? Mistérios do mundo. Acho que preciso empregar meu velho despertador de volta.
Escrito por CG 