Plantão de ano novo

Domingo, Janeiro 4, 2009

Da editoria de economia

Entrei o ano bem, queimando 400 conto em creminhos. O problema é que eu preciso fazer estoque, porque na minha terra não tem Natura. E agora eu vou começar a usar Chronos. Daqui pra frente é ladeira abaixo, como delicadamente me avisou um flatmate quando eu fiz 25. (E isso já faz três anos.)

Da editoria de turismo

Ainda não vi nada de São Paulo — nem acho que irei. Cheguei, fui levada para o interiorrrr e, agora, ganhei um único dominguinho na capital antes de ir para a praia tomar chuva. Plano pra hoje: almoçar com a família, visitar a parentada e, provavelmente, continuar comendo até explodir, o que parece ser a regra cada vez que eu venho para cá.

Da editoria de esportes

Ã-hã.

Da editoria de cotidiano

Marido voltou pra casa dia 1° e agora temos seis horas de fuso entre nós. É a coisa mais bizarra, tanto pela familiaridade do relacionamento a distância, que eu julgava ter ficado no passado, quanto pela estranheza de o meu dia começar antes que o dele (sempre foi o contrário).

Do caderno 2

Já estou totalmente por dentro de A Favorita e passadíssima porque vou embora antes de a novela nova começar. Bendito seja Deus por eu não ter assinatura da Globo internacional ou eu não iria fazer mais nada da vida. E se alguém ainda não assistiu ao programa O Melhor do Brasil, na Record, eu recomendo. É a coisa mais trash que eu vi nos últimos tempos.


A dor da ressaca

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Passou o tempo de rir, e estou de volta ao tempo de chorar. Chorar muito, copiosamente. Pela rotina medíocre a que volto, um mundo habitado por Andies e tarefas banais, mecânicas, burocráticas, engessadas, inúteis e cinzentas. Pela resignação ao fato de que eu escolhi viver longe das pessoas que fazem de mim península e não ilha. Pelo reconhecimento de que foram as minhas próprias decisões que me trouxeram até aqui, e, no entanto, não tenho como me arrepender de nada, porque o que preservei é tão ou mais vital do que aquilo que deixei. Uma maldita escolha de Sofia.

Tirar férias é sempre como abrir uma brecha na cortina pra espiar fora e respirar um ar mais fresco – um rasgo que se fecha para que a labuta diária possa continuar, contida, atrás da trama. Mas a minha cortina é um tecido esgarçado por ânsia que remendo nenhum restaura. E há dias em que é muito difícil voltar à vida do lado de cá do pano, quando tudo brilha tanto do lado de lá.


Pai rico, filho pobre

Terça-feira, Abril 8, 2008

O Guardian saiu com uma matéria gigantesca ontem no caderno de mídia sobre o ofício jornalístico. Em resumo bem resumido, o artigo expõe o fato de que só famílias ricas formam jornalistas, porque os salários são uma merda e papai e mamãe precisam sustentar esses coitados por anos até que eles consigam parar em pé sozinhos. Não digam.

Meus pais teriam me incentivado a estudar absolutamente qualquer coisa que eu quisesse. Incitaram-me a encontrar o meu ‘chamado’, a lógica da família sendo que uma pessoa bem-sucedida é aquela que faz o que ama. Eles parecem acreditar tanto nisso que, por anos, eu comprei a coisa sem questionar. E, assim, escolhi minha carreira sem nem uma vezinha sequer espiar uma tabela de remuneração ou fazer qualquer pesquisa pra comparar expectativas salariais de, digamos, motoristas de perua e diplomatas. Não que eu fosse capaz de ser uma dessas coisas.

Foi só meia década depois de me formar que a minha ficha debilóide caiu. Em jornalismo, uns sete ou oito negos ganham fortunas. O resto de nós passará o resto de seus anos levando uma vidinha mais-ou-menos. (Excluem-se aqui aqueles que, por virtude de nascimento e/ou conjunção amorosa, beneficiam-se do pecúlio alheio.)

Não pensem que a minha inocência foi a de imaginar que eu poderia ser uma dos sete ou oito; não – eu simplesmente nunca nem pensei no assunto. Como se dinheiro não importasse. E hoje em dia isso me persegue.

Eu ressinto o fato de ganhar menos do que todas as pessoas com quem convivo fora do trabalho. Eu poderia ter virado médica, advogada, operadora da bolsa, engenheira. (OK, talvez não engenheira, com as minhas notas em matemática.) Mas não, fui atrás das palavras, que além de não pagarem o que eu mereço, já não me causam felicidade alguma. Algo há de ser feito.


Reinauguração, parte MDXCI

Segunda-feira, Abril 7, 2008

Há muito tempo estou querendo ressuscitar o blog. Venho adiando por medo, puro e simples, de que ninguém queira ler o que eu tenho para escrever. O que, provavelmente, é mesmo o caso.

Alguns pobres de vocês acompanham meus resmungos desde o primeiro Diário Intramuros, que inaugurei em 2001. Desde lá virei uma pessoa muito menos interessante. Deixei de ser mega-nerd, mega-azeda, mega-abraçadora-de-árvores, assistidora compulsiva do Warner Channel e outros adjetivos não necessariamente favoráveis, mas que faziam de mim ‘mim’.

Virei uma versão sem-graça de mim mesma. Tão poucos anos, se formos pensar, para tal abismo ter-se aberto entre nós. Mas há um motivo. Me desliguei do universo que habitava em tantos sentidos que me sinto vagando pelo mundo, com orgulho profissional abandonado, amizades quebradas, família distante e nenhuma idéia do que fazer comigo mesma.

Ou talvez eu esteja apenas ficando confusa com a idade. Acontece.

Mas mesmo os mais bestas têm algo a dizer. E no momento estou numa fase tão angustiada com o futuro que um tema parece formar-se diante de mim. Por isso, a volta ao fantástico mundo dos diários virtuais. Mantenho o nome não por constância, algo que me falta, mas por falta de criatividade, algo que abunda no momento. Bem-vindos.