Mantenha distância

Segunda-feira, Maio 19, 2008

SH quer saber a quantas anda um projeto X do nosso site. Está tão interessado que me mandou um email sem nenhuma vaselina, nenhuma tentativa de fingir interesse pelo meu bem-estar, nem uma linhazinha de small talk, pedindo detalhes.

SH é meu ex-chefe do inferno (de quem eu, ultimamente, passei a sentir saudades relativas, dada a alternativa – but not really). Mr H saiu daqui em dezembro. Pediu as contas porque quis, e foi trabalhar num projeto do instituto dos contadores sei lá das quantas. O site onde eu trabalho é médico.

Agora alguém, por favor, me explique se puder por que é que essa pessoa mandaria um email para uma colega com quem jamais teve uma relação minimamente amigável, cinco meses depois de sair, para perguntar sobre o trabalho de uma empresa que nem opera no mesmo setor que a dele. Escapa à minha compreensão.

Apaguei o email sem responder, mas fiquei com o assunto na cabeça, porque me lembrei de uma outra anedota desta empresa. Uma semana antes de o seu primeiro dia de trabalho, Andy pediu a AB, o chefão, para ter uma reunião comigo. Apareceu aqui munido de prints do site atual e de mock-ups do novo projeto gráfico, e me enfiou numa salinha por três horas pra discutir estratégias editoriais. Repito: uma maldita semana antes de começar. Durante um dia de folga. Com sol lá fora e tudo o mais.

Pensa que acabou? Pois EN, braço-direito do chefão, sempre passa o último fim de semana de suas férias trabalhando. Afinal, emails acumulam-se durante a ausência de uma pessoa, ainda que ela tenha um Blackberry e responda a maioria das mensagens remotamente. Mas sempre sobra alguma coisinha pra resolver – e ele gosta de tirá-las da frente antes de voltar, pra poder recomeçar a todo vapor na segunda-feira. (E eu aqui achando que segundas-feiras pós-férias existiam justamente para se colocar a caixa de entrada em dia!)

Das duas, uma: ou esse lugar é uma fonte inesgotável de prazer para seus funcionários (ex, futuros e atuais, indistintamente), e eu, besta, estou perdendo parte da festa, ou estou cercada por um bando de losers que encontram, aqui, um ambiente acolhedor. Pior: estimulante. Fecundo. Contagioso. Para sua própria segurança, delete o endereço deste blog se eu começar a falar do meu emprego carinhosamente.


A dor da ressaca

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Passou o tempo de rir, e estou de volta ao tempo de chorar. Chorar muito, copiosamente. Pela rotina medíocre a que volto, um mundo habitado por Andies e tarefas banais, mecânicas, burocráticas, engessadas, inúteis e cinzentas. Pela resignação ao fato de que eu escolhi viver longe das pessoas que fazem de mim península e não ilha. Pelo reconhecimento de que foram as minhas próprias decisões que me trouxeram até aqui, e, no entanto, não tenho como me arrepender de nada, porque o que preservei é tão ou mais vital do que aquilo que deixei. Uma maldita escolha de Sofia.

Tirar férias é sempre como abrir uma brecha na cortina pra espiar fora e respirar um ar mais fresco – um rasgo que se fecha para que a labuta diária possa continuar, contida, atrás da trama. Mas a minha cortina é um tecido esgarçado por ânsia que remendo nenhum restaura. E há dias em que é muito difícil voltar à vida do lado de cá do pano, quando tudo brilha tanto do lado de lá.


Há tempo de chorar, e tempo de rir

Segunda-feira, Abril 28, 2008

Semi-acordei com o sol, esta manhã. Virei de lado e voltei a dormir. Aí acordei de novo, li um pouquinho do meu livro, adormeci em cima dele. Agora acabo de sair da cama. Sorrindo.

Estou de pré-férias.

Ao todo, ficarei duas semanas fora. Meus pais chegam ao país na quinta, e aí vamos fazer turismo. Mas, até lá, tenho três dias pra não fazer na-da.

Eu não me lembro de jamais ter tirado férias ociosas em casa antes. Quase sempre preciso me matar de correr depois do trabalho pra terminar de fazer a mala, e aí faço o possível pra voltar com o mínimo de tempo possível entre a chegada e o recomeço da vida.

Ou então eu preciso tomar providências. Antes de vir pra cá, tive uma semana de folga entre deixar a revista e embarcar. Mas eu estava de mudança. Tinha 254.896.748.251 coisas pra resolver e todas as malas por fazer. Foi como sair de férias elevado à oitava potência.

Dessa vez, não. Estou de férias vagabundas, que o RH me forçou a tirar. E ainda que minha natureza obsessiva tenha se lembrado de pelo menos umas 15 pendências que podem ser resolvidas nesse intervalo, eu só preciso resolvê-las se quiser.

Eu não preciso ver a cara gorda e feia do meu chefe. Ou empurrar meus fellow commuters pra pegar um assento no trem. Talvez eu nem tire o pijama até a hora de pôr outro.

Em vez disso, posso re-assistir a todos os meus DVDs de época da BBC (oh, Mr Darcy!). Arrumar armários. Fazer compras. Dormir de tarde. Aliás, voltar a dormir no meio da manhã. Falou aí.