Andy está doente há dois dias. Dias úteis, corrijo – porque aparentemente a doença o aflige desde sábado, causando-lhe “sintomas de enxaqueca”, “incapacidade de controlar a temperatura corporal” e “cérebro tentando escapar pelos ouvidos”. Palavras dele, não minhas. Eu jamais diria uma coisa dessas, porque nem sabia que ele tinha um cérebro.
Desde segunda, também, a equipe toda está trabalhando em dobro graças a uma migração técnica gigantesca por que estamos passando. Curiosa mas não surpreendentemente, P e eu produzimos muito mais nesse tempo do que com a ‘ajuda’ do nosso chefe. Em geral, nossa rotina inclui algumas boas horas fiscalizando – e corrigindo – tudo aquilo em que ele mete os gordos dedos. Mas essa semana, não. Por dois gloriosos dias, ninguém ‘esqueceu’ uma etapa do processo de publicação, nenhum erro de gramática foi introduzido durante a edição de uma matéria, nenhum plágio teve de ser identificado e impedido antes que um advogado batesse na nossa porta. Foi um vislumbre místico da vida sem Andy.
Parte de mim já se tornou incapaz de sentir compaixão. Um peso morto é sempre melhor quando faz jus ao nome que leva. Estou pensando em ir pessoalmente dar uma força àquele lance do cérebro saindo pela orelha.
Escrito por CG 