Eu amo e odeio viajar, em partes quase iguais. Amo conhecer lugares, comidas, cheiros e costumes diferentes. Bater perna até cair ou ficar de perna pro ar, mudar de rotina e de língua e de travesseiro. Mas fazer (e desfazer) mala acaba com o meu tesão de tal maneira que quase chego a desistir da coisa quando o momento chega.
É um mistério como consegui sobreviver não apenas viajando, mas mudando de casa, tantas vezes no último ano. Cinco endereços em 13 meses. Dois deles, com o Atlântico no meio. Eu não posso mais ver caixa e fita marrom pela frente. E a provisoriedade. Total vida de cigana. Tudo o que eu quero agora é fincar minha cabana no chão e deixar a vida ficar entediante de novo.
A parada, aqui, não é permanente ainda. Mas deve durar o suficiente pra gente poder chamar nosso canto de lar. Uma semana na casa nova e já vejo que vai ser mole, mole.
Irvine fica a 50 minutos de LA, entre a praia, em Newport Beach, e as montanhas de Santa Ana. Nosso apartamento é aconchegante (temos a maior cama de todo o universo), o condomínio é excelente (aula de ioga, degustação de vinho, churrasco com banda ao vivo, tudo de graça) e um sol gigantesco brilha lá fora. O povo te cruza na rua e pergunta como você está. Todo mundo bate papo fácil na piscina. Tenho uma Starbucks no prédio, um cinema a cinco minutos e ruas intermináveis ao pé do portão, prometendo aventuras a uma mala de distância.
O-oh.
Escrito por CG 