Pós-hibernação

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Levei bronca, e com razão. A seca informacional nem faz justiça à quantidade de acontecimentos desde a minha última passagem por aqui.

Em geral, estive ocupada e enlouquecida: mudei de casa de novo; arrumei um emprego no começo de março; perdi, ganhei e recuperei amigos e encontrei umas boas e amestradíssimas sarnas para me coçar.

Aos poucos vou introduzindo detalhes sobre as novidades, mas, por ora, fiquem com o ensinamento do dia:

A raposa mais esperta e fugidia é quem faz a caça interessante. Mas não se iluda. O caçador quer a conquista, não a raposa. Não importa quão lustrosa ela seja.

You’re welcome.


Sonho de gato, dia de cão

Quarta-feira, Julho 2, 2008

A minha viagem da nova casa pro trabalho, e de volta, leva duas horas. Quatro horas por dia quase perdidas, não fosse pela parte mais longa da jornada, que me permite um assento no trem e, portanto, leitura, por cerca de uma hora pra cada lado. Nos demais trechos eu alterno entre corridas até outras estações ou plataformas e um Espaço Individual de uns 40 centímetros quadrados dentro do metrô mais quente e superlotado da face da Terra (e sim, eu já andei na linha leste-oeste em São Paulo às 5h da tarde).

As vantagens de morar no meio do mato são que a casa é espaçosa e a vizinhança, silenciosa, as escolas da região são aparentemente ótimas (praqueles filhos que eu ainda não tenho, lembra?) e pelo mato em si — o ar é puro e temos um jardim amigo com gramado e arbustos e árvores e o gato da vizinha, que gosta de deitar no nosso canteiro de flores e dormir o dia inteiro. (A vida dos meus sonhos, tirando os insetos.)

Tendo realizado essa corrida dos infernos por duas semanas e meia, sentindo com uma raiva especial das pessoas imbecis com quem trabalho por esses dias e estando à beira de um ataque de nervos (vide os quatro últimos posts; aliás, vide esse blog inteiro), me dei de presente um dia de folga. Pensei em todas as horas desperdiçadas no forno do transporte público, na maneira indigna como volto para casa todos os dias, suada e descabelada, e decidi que hoje eu colocaria uma toalha na grama e passaria o dia lendo revistas ao sol e não fazendo nada.

Como era de se esperar, o tempo que faria as minhas idas e vindas mais humanas se materializou justamente quando eu não preciso dele. Está frio, chovendo e cinzento. Duvet day, então? Sim, seria a solução perfeita, se eu tivesse uma cama de verdade. Internet? Ainda não foi reconectada (serviço de primeiro mundo!), então para escrever aqui e checar meus emails tive de comprar créditos e acessar a rede sem fio local.

Obrigada, verão inglês, por adicionar mais um grau no meu insanômetro.


As voltas do gigante

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Pra quem cresceu achando que Retorno de Saturno era um nome hippie para histeria de mulheres pré-balzaquianas, estou afetada demais pela coisa, eu acho. Se bem que isso não prova nada — talvez eu seja apenas mais uma quase-trintona louca querendo pôr a culpa nos astros. De uma maneira ou de outra, os fatos são que 1) esse ano eu completo 28 e 2) esse ano tá foda.

Nas últimas três semanas apenas eu cheguei à conclusão de que quero: abandonar o jornalismo e virar tradutora em tempo integral; fazer uma pós em Lingüística; escrever um romance; largar tudo e virar psicanalista; lançar uma revista independente; parar de trabalhar para criar os meus ainda não existentes filhos; não ter filhos; ter filhos desde que possa criá-los junto da minha família no Brasil; ter filhos desde que eu possa criá-los em uma sociedade menos materialista; ter filhos desde que eu possa criá-los em qualquer lugar do mundo longe da minha sogra; abrir um negócio pontocom; terminar amizades que me fazem competitiva e louca; alimentar ainda mais amizades que me fazem competitiva e morrer louca tentando provar que eu ainda sou tudo aquilo que comecei a ser, e larguei; vender a casa e comprar uma caixa de sapatos em Londres; vender a casa e comprar um sítio; me jogar de uma ponte; me jogar de um prédio alto; me jogar de um avião.

Pra que lado estou pendendo? Nem idéia. Amanhã eu nem reconhecerei esses impulsos. Esse ano tá foda.