Pós-hibernação

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Levei bronca, e com razão. A seca informacional nem faz justiça à quantidade de acontecimentos desde a minha última passagem por aqui.

Em geral, estive ocupada e enlouquecida: mudei de casa de novo; arrumei um emprego no começo de março; perdi, ganhei e recuperei amigos e encontrei umas boas e amestradíssimas sarnas para me coçar.

Aos poucos vou introduzindo detalhes sobre as novidades, mas, por ora, fiquem com o ensinamento do dia:

A raposa mais esperta e fugidia é quem faz a caça interessante. Mas não se iluda. O caçador quer a conquista, não a raposa. Não importa quão lustrosa ela seja.

You’re welcome.


Em busca do Dharma

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

A Crise, para mim, era que nem o homem do saco — uma coisa levemente assustadora, mas que você, na verdade, não leva muito a sério. Até que o furacão passou e levou embora muito, muito rapidamente a melhor coisa que me aconteceu em anos: a minha fuga perfeita para um canto quentinho e feliz do planeta, longe das correntes de vento e de loucura que estavam deixando a minha vida gélida.

Assim, estou de volta à Inglaterra. Numa casa provisória no meio do absoluto nada, com metade dos meus pertences num guarda-volumes e o restante voando por aí; sem emprego, sem internet, sem casaco de inverno, sem a cama de quase dois metros de largura à qual inevitavelmente me afeiçoei. E, de tudo, o que mais me faz falta é uma certa fortaleza emocional que eu na verdade nunca tive, aquela capacidade budista invejável de abrir mão de todo desejo e todo apego, porque são eles, e não as mudanças, que nos fazem arrancar os cabelos (metaforicamente; não cheguei nesse ponto, ainda).


Chegadas e partidas

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Eu amo e odeio viajar, em partes quase iguais. Amo conhecer lugares, comidas, cheiros e costumes diferentes. Bater perna até cair ou ficar de perna pro ar, mudar de rotina e de língua e de travesseiro. Mas fazer (e desfazer) mala acaba com o meu tesão de tal maneira que quase chego a desistir da coisa quando o momento chega.

É um mistério como consegui sobreviver não apenas viajando, mas mudando de casa, tantas vezes no último ano. Cinco endereços em 13 meses. Dois deles, com o Atlântico no meio. Eu não posso mais ver caixa e fita marrom pela frente. E a provisoriedade. Total vida de cigana. Tudo o que eu quero agora é fincar minha cabana no chão e deixar a vida ficar entediante de novo.

A parada, aqui, não é permanente ainda. Mas deve durar o suficiente pra gente poder chamar nosso canto de lar. Uma semana na casa nova e já vejo que vai ser mole, mole.

Irvine fica a 50 minutos de LA, entre a praia, em Newport Beach, e as montanhas de Santa Ana. Nosso apartamento é aconchegante (temos a maior cama de todo o universo), o condomínio é excelente (aula de ioga, degustação de vinho, churrasco com banda ao vivo, tudo de graça) e um sol gigantesco brilha lá fora. O povo te cruza na rua e pergunta como você está. Todo mundo bate papo fácil na piscina. Tenho uma Starbucks no prédio, um cinema a cinco minutos e ruas intermináveis ao pé do portão, prometendo aventuras a uma mala de distância.

O-oh.


Um lar para chamar de meu

Sexta-Feira, Junho 13, 2008

Uma das minhas sagas dos últimos tempos está chegando ao fim. Esse fim de semana nos mudamos para a casa nova, de malas (quatro: duas minhas, uma dele e uma com ‘enxoval’) e umas poucas cuias (dois pratos, dois garfos, duas facas, um sortimento de canecas desparceiradas e minha caixa de produtos de limpeza, porque não é à toa que respondo por Bree Van de K… er, Hodge.)

Todos os nossos outros pertencem já foram, ao longo das últimas duas semanas, encaixotados e empilhados em um guarda-volumes. Presentes de casamento, livros, roupas, DVDs, artigos de papelaria. Eu, que me prezo de ser implacável no julgamento do que vale a pena ser guardado (quase nada, em geral), fiquei besta de ver quanta tralha fomos capazes de juntar. E agora tudo isso está fora de uso, por causa da outra mudança que acontecerá em breve (mais sobre isso, já sabem, depois).

Minha casa tem teto, mas de resto não tem nada. Minto: tem quartos, cozinha, salas, banheiros e um jardim fofo com peixes no tanque. O que já é alguma coisa. Pelo próximo mês e pouco, vamos morar nela feito squatters de luxo, mas não faz mal, porque ela é nossa. Ou pelo menos o é a dívida que a fará nossa ao final de 25 anos. Mas não faz mal, porque ela é nossa. Nossa, nossa, nossa.

Está achando que é muito barulho por uma hipoteca que vai durar a minha vida profissional inteira? Pois saiba que, aqui, chegar aos finalmentes da compra de uma casa é motivo pra comemoração, sim. O mercado imobiliário da Inglaterra é total casa da mãe Joanne, porque não tem lei que regule. Você pode acertar uma compra, pagar depósito, gastar uma pequena fortuna em inspeções, advogado e o escambau… e acabar sem casa. Qualquer uma das partes pode desistir até o segundo em que o contrato é assinado, o que pode levar tempo pra caralho e, no nosso caso, levou. Nove semanas e meia. E não foram de amor.

O detalhe é que essa é a quarta casa que nos pusemos a comprar. Começamos a busca em dezembro e pagamos todos os nossos pecados, passados e futuros, até essa compra finalmente sair. E, ironicamente, mal vamos entrar e logo vamos sair. Mas isso é assunto para outro dia. Por ora, um brinde à casa, que é nossa, nossa, nossa. Olha ela aí.