Meu zen, meu bem, meu mal

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Manja um caso do passado que você acha que superou, e quando menos espera seu corpo está doente pra pular no dele?

Tô assim com cigarro.

Anos, cara, ANOS sem nem pegar na mão. Sabe Deus de onde veio essa fissura agora.

Porque eu virei ex-fumante de verdade, nada dessa pataquada de fumar “socialmente”, “de vez em quando”, “tão pouco que nem faz diferença”, “sem tragar”. Fumar um só é como dar o primeiro gole depois de uma temporada de AA, e eu nunca mais pus um na boca desde aquele Natal.

E, no entanto, estou tendo chamados.

Quando o frio de manhã faz todo hálito parecer fumaça.

Quando as noites esquentam e você pode sentar com seu querido no jardim.

Quando as poucas pessoas bacanas do trabalho vão fumar juntas e viram melhores amigas.

Depois de tomar o segundo copo de vinho.

Aliás, já durante o primeiro.

Não é que eu queira fazer apologia, mas o cigarro foi meu amigo. Me ajudou a conhecer gente, a desestressar, a parecer descolada (OK, pelo menos no ano em que essa palavra ainda era usada). Me deu algo o que fazer com as mãos quando eu estava nervosa demais pra dizer as coisas que precisava dizer.

E agora ando tão passada de desejo que só mesmo um cigarro pra aplacar a gana.

Ou isso, ou um banho frio.

***

PS: Nem pense em apertar esse botão dos comentários pra me “dar uma força”: Cigarro causa câncer. Cigarro fede. Cigarro mata. Você está indo tão bem que não vale a pena jogar fora o esforço. Blablablá.

Já sei de tudo isso. Me deixe em paz. Como se você nunca tivesse suspirado por um ex bad boy.


Reinauguração, parte MDXCI

Segunda-feira, Abril 7, 2008

Há muito tempo estou querendo ressuscitar o blog. Venho adiando por medo, puro e simples, de que ninguém queira ler o que eu tenho para escrever. O que, provavelmente, é mesmo o caso.

Alguns pobres de vocês acompanham meus resmungos desde o primeiro Diário Intramuros, que inaugurei em 2001. Desde lá virei uma pessoa muito menos interessante. Deixei de ser mega-nerd, mega-azeda, mega-abraçadora-de-árvores, assistidora compulsiva do Warner Channel e outros adjetivos não necessariamente favoráveis, mas que faziam de mim ‘mim’.

Virei uma versão sem-graça de mim mesma. Tão poucos anos, se formos pensar, para tal abismo ter-se aberto entre nós. Mas há um motivo. Me desliguei do universo que habitava em tantos sentidos que me sinto vagando pelo mundo, com orgulho profissional abandonado, amizades quebradas, família distante e nenhuma idéia do que fazer comigo mesma.

Ou talvez eu esteja apenas ficando confusa com a idade. Acontece.

Mas mesmo os mais bestas têm algo a dizer. E no momento estou numa fase tão angustiada com o futuro que um tema parece formar-se diante de mim. Por isso, a volta ao fantástico mundo dos diários virtuais. Mantenho o nome não por constância, algo que me falta, mas por falta de criatividade, algo que abunda no momento. Bem-vindos.