Eu tenho profundos respeito e admiração por pessoas que não trabalham em escritórios (redações inclusive). Porque a verdade é que nós, o povo atrás de um computador, podemos enrolar pra cacete. Mas certas ocupações por aí afora requerem um nível de vigor extraterrestre que a maioria de nós não tem.
Imagine que você é enfermeira em uma UTI. Se você está de ressaca, sem saco, com cólica, com tesão pelo gostoso do terceiro andar, foda-se você. O trabalho precisa ser feito. Não existe um ato equivalante a apertar Alt+Tab pra esconder a página do Facebook/site de decoração/email pessoal quando a sua chefe entra na sala. Se você não faz o seu trabalho direito, o paciente morre. Simples assim.
Não precisa envolver a vida de outra pessoa, não — às vezes, é simplesmente impossível matar tempo sem ser pego. Eu nem sempre enrolo na internet — eu também uso a técnica da flânerie. Bate-papo no bebedouro, café no meio da tarde, uma espiada no gostoso do terceiro andar. Coisas sem as quais o dia não passa. Mas se eu fosse caixa de supermercado, atriz de teatro ou fonoaudióloga, essas ferramentas não estariam disponíveis para mim. Teria de levar o show até o fim.
Diminuir o ritmo quase todo mundo pode. Não fazer praticamente nada por três dias seguidos é para poucos.
Essa semana minha cabeça está muito, muito longe daqui.
Escrito por CG 