Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
Definição: Carnívoros sanguinários, também conhecidos como agentes de seleção ou recolocação. Pertencem à classe dos profissionais de RH, de quem herdam a inutilidade, a visão limitada e o gosto pela burocracia, mas apresentam importantes distinções. Enquanto as principais motivações dos RH-ianos são cortar gastos e proteger a empresa da influência maléfica dos funcionários, recrutadores têm como meta ganhar comissões (ver hábitos alimentares).
Outras de suas características marcantes podem ser explicadas pelo hibridismo desse animal, que é resultado de um cruzamento com corretores de imóveis. Com esses, os agentes de seleção compartilham a capacidade de mentir sem constrangimento e a atitude vendedora. Mas corretores costumam ligar para dizer se sua oferta foi aceita.
Hábitat: Vivem no limbo entre o mundo corporativo bullshit, onde gostariam de estar, e o universo do desemprego, onde provavelmente já estiveram, embora atualmente já não demonstrem sinais disso (como, por exemplo, compaixão pelos que ali habitam).
Hábitos alimentares: A espécie alimenta-se de dinheiro, mas aprecia também uma boa humilhação alheia, o que nem sempre trabalha a seu favor. Enquanto seu objetivo é conquistar as comissões mais altas possíveis, seus ganhos tendem a ser apenas medianos, pois gostam de baixar o futuro salário dos candidatos (em que suas comissões se baseiam). São capazes de grandes esforços para descobrir o mais mínimo dos salários que uma pessoa é capaz de aceitar — e aí oferecem 10% a menos.
Uma cortesia do Pequeno Dicionário Intramuros de Pestes, Vermes e Criaturas Daninhas.
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Confissões, resmungos e lamentos, Trabalho, Vida expatriada | Etiquetado: burocracia, corporate bullshit, corretores de imóveis, desemprego, dinheiro, emprego, profissões, RH, salário, vermes |
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Escrito por Mrs G
Segunda-feira, Abril 28, 2008
Semi-acordei com o sol, esta manhã. Virei de lado e voltei a dormir. Aí acordei de novo, li um pouquinho do meu livro, adormeci em cima dele. Agora acabo de sair da cama. Sorrindo.
Estou de pré-férias.
Ao todo, ficarei duas semanas fora. Meus pais chegam ao país na quinta, e aí vamos fazer turismo. Mas, até lá, tenho três dias pra não fazer na-da.
Eu não me lembro de jamais ter tirado férias ociosas em casa antes. Quase sempre preciso me matar de correr depois do trabalho pra terminar de fazer a mala, e aí faço o possível pra voltar com o mínimo de tempo possível entre a chegada e o recomeço da vida.
Ou então eu preciso tomar providências. Antes de vir pra cá, tive uma semana de folga entre deixar a revista e embarcar. Mas eu estava de mudança. Tinha 254.896.748.251 coisas pra resolver e todas as malas por fazer. Foi como sair de férias elevado à oitava potência.
Dessa vez, não. Estou de férias vagabundas, que o RH me forçou a tirar. E ainda que minha natureza obsessiva tenha se lembrado de pelo menos umas 15 pendências que podem ser resolvidas nesse intervalo, eu só preciso resolvê-las se quiser.
Eu não preciso ver a cara gorda e feia do meu chefe. Ou empurrar meus fellow commuters pra pegar um assento no trem. Talvez eu nem tire o pijama até a hora de pôr outro.
Em vez disso, posso re-assistir a todos os meus DVDs de época da BBC (oh, Mr Darcy!). Arrumar armários. Fazer compras. Dormir de tarde. Aliás, voltar a dormir no meio da manhã. Falou aí.
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Meu dia, Trabalho | Etiquetado: ócio, dormir, DVDs, férias, pendências, RH, turismo |
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Escrito por Mrs G
Segunda-feira, Abril 21, 2008
Meus três tipos desfavoritos de gente: corretores de imóveis, mulheres sedentárias sem celulite e “profissionais de RH”.
Os dois primeiros serão poupados por hoje, porque estou boazinha. Os últimos me irritaram e vão pra forca.
Pra começo de conversa, nem nome de verdade essa profissão estúpida tem. Alguém por acaso diz que é “operador de jornalismo” ou “agente da medicina”? Não. Mas, em RH, é sempre assim. Diretor de RH, analista de RH, consultor de RH, a vaca do RH. E você fica achando que RH é um universo místico, uma inesgotável fonte de elementos preciosos, essenciais para o desenvolvimento, a sobrevivência e o conforto da civilização, algo que depende da manipulação de iniciados.
Hora da verdade: a assim chamada “gestão de recursos humanos” pertence à classe da “gestão de recursos financeiros”. O princípio básico é exatamente o mesmo – os recursos pertencem à empresa. Assim, podem ser auditados, investigados, inspecionados e manipulados como os “gestores” bem entenderem; alguns são vistos como investimentos, outros formam a base sólida da empresa, muitos são desperdiçados; empresas não gostam quando seus recursos vão parar na concorrência et cetera.
A última da empresa onde eu trabalho é uma medida para cortar o número de sickies. Um documento de seis páginas, sem contar os formulários anexos, foi distribuído hoje pela menina do RH. O propósito do calhamaço é revestir de corporate bullshit e uma burocracia horrenda um procedimento que costumava ser descomplicado – ficar doente, ligar pro chefe, melhorar, voltar a trabalhar. Simples.
Agora funciona assim:
- O funcionário doente deve ligar para a firrrma até no máximo 9h30 da manhã avisando que está doente.
- O recado deve ser dado ao chefe imediato ou ao RH, para quem a natureza da doença ser explicada, e uma previsão de retorno dada.
- Colegas não podem ser usados como mensageiros. Se a ligação for feita antes de as pessoas acima chegarem, o funcionário deve gravar um recado ou mandar um email com telefone de contato. O chefe ou RH fará uma ligação, obrigatoriamente.
- Recados deixados por familiares e amigos não serão aceitos a não ser que o funcionário esteja não apenas hospitalizado, mas impossibilitado de falar.
- Caso o problema dure mais de um dia, relatórios telefônicos sobre o andamento da enfermidade são exigidos.
- Ao retorno ao trabalho, o funcionário deve preencher um formulário e entregar ao RH, dando todo tipo de detalhe sobre o período de afastamento. Na seqüência, passará por uma entrevista com o chefe imediato, que deverá, por sua vez, preencher um outro formulário. Todos os documentos são arquivados nos registros do pobre infeliz para todo o infinito sempre.
Isso é só para coisinhas simples – uma diarréia, uma enxaqueca, uma gripe. Qualquer coisa que dure mais de 7 dias corridos envolve um processo que vocês não querem nem saber.
E essa é só mais uma gota no copo de peçonha do nosso RH. Por aqui, o clima é de total cuidado com a cuca, que a cuca te pega. Em janeiro, investiram libras pra caralho para instalar um sistema de ponto que marca não só nosso horário de entrada e saída, mas as idas ao banheiro também. Mês passado baniram todas as formas de messenger e instalaram um programa de comunicação interna cuja mensagem de abertura é “IT are watching you”.
E depois não sabem por que nego fica doente.
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Confissões, resmungos e lamentos, Trabalho | Etiquetado: burocracia, celulite, censura, chefes, corporate bullshit, corretores de imóveis, cuca, doenças, firma, profissões, RH, sickie |
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Escrito por Mrs G