London calling

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Demora-se um pouco para virar parte da fauna local quando se muda de país (/estado/cidade/bairro). Mas, uma vez cruzado o portal, é muito fácil perder aquele interesse curioso que têm os forasteiros. A gente para de observar. Quase sempre é preciso alguém de fora para abrir de novo os nossos olhos para as particularidades do nosso cantinho do mundo.

Meus pais acabam de deixar Londres depois de oito dias de intensa atividade turística. É a segunda visita deles desde que mudei para cá e tínhamos combinado que, dessa vez, seguiríamos uma programação leve, caseira, com tempo para relaxar. Não funcionou, é claro; a cidade nos seduziu e viramos, de novo, seus andarilhos. E que bom que foi assim. Uma delícia redescobrir por que é que a gente se apaixonou um dia, quando o relacionamento já caiu na rotina.


Chegadas e partidas

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Eu amo e odeio viajar, em partes quase iguais. Amo conhecer lugares, comidas, cheiros e costumes diferentes. Bater perna até cair ou ficar de perna pro ar, mudar de rotina e de língua e de travesseiro. Mas fazer (e desfazer) mala acaba com o meu tesão de tal maneira que quase chego a desistir da coisa quando o momento chega.

É um mistério como consegui sobreviver não apenas viajando, mas mudando de casa, tantas vezes no último ano. Cinco endereços em 13 meses. Dois deles, com o Atlântico no meio. Eu não posso mais ver caixa e fita marrom pela frente. E a provisoriedade. Total vida de cigana. Tudo o que eu quero agora é fincar minha cabana no chão e deixar a vida ficar entediante de novo.

A parada, aqui, não é permanente ainda. Mas deve durar o suficiente pra gente poder chamar nosso canto de lar. Uma semana na casa nova e já vejo que vai ser mole, mole.

Irvine fica a 50 minutos de LA, entre a praia, em Newport Beach, e as montanhas de Santa Ana. Nosso apartamento é aconchegante (temos a maior cama de todo o universo), o condomínio é excelente (aula de ioga, degustação de vinho, churrasco com banda ao vivo, tudo de graça) e um sol gigantesco brilha lá fora. O povo te cruza na rua e pergunta como você está. Todo mundo bate papo fácil na piscina. Tenho uma Starbucks no prédio, um cinema a cinco minutos e ruas intermináveis ao pé do portão, prometendo aventuras a uma mala de distância.

O-oh.


Há tempo de chorar, e tempo de rir

Segunda-feira, Abril 28, 2008

Semi-acordei com o sol, esta manhã. Virei de lado e voltei a dormir. Aí acordei de novo, li um pouquinho do meu livro, adormeci em cima dele. Agora acabo de sair da cama. Sorrindo.

Estou de pré-férias.

Ao todo, ficarei duas semanas fora. Meus pais chegam ao país na quinta, e aí vamos fazer turismo. Mas, até lá, tenho três dias pra não fazer na-da.

Eu não me lembro de jamais ter tirado férias ociosas em casa antes. Quase sempre preciso me matar de correr depois do trabalho pra terminar de fazer a mala, e aí faço o possível pra voltar com o mínimo de tempo possível entre a chegada e o recomeço da vida.

Ou então eu preciso tomar providências. Antes de vir pra cá, tive uma semana de folga entre deixar a revista e embarcar. Mas eu estava de mudança. Tinha 254.896.748.251 coisas pra resolver e todas as malas por fazer. Foi como sair de férias elevado à oitava potência.

Dessa vez, não. Estou de férias vagabundas, que o RH me forçou a tirar. E ainda que minha natureza obsessiva tenha se lembrado de pelo menos umas 15 pendências que podem ser resolvidas nesse intervalo, eu só preciso resolvê-las se quiser.

Eu não preciso ver a cara gorda e feia do meu chefe. Ou empurrar meus fellow commuters pra pegar um assento no trem. Talvez eu nem tire o pijama até a hora de pôr outro.

Em vez disso, posso re-assistir a todos os meus DVDs de época da BBC (oh, Mr Darcy!). Arrumar armários. Fazer compras. Dormir de tarde. Aliás, voltar a dormir no meio da manhã. Falou aí.