The “ano que vem eu faço 30 e do jeito que estou não fico” project

Quinta-feira, Agosto 6, 2009

Vidas precisam de orientação, rumo, objetivos. Sem isso a gente vaga. Sem isso a gente vira eu. E eu cansei de ser eu. Falo isso da maneira mais neutra, não-psicótica, não-depressiva, não-dramática possível — apenas uma constatação objetiva de que o meu eu atual não é algo de que eu me orgulho.

Provavelmente teria sido melhor pra minha imagem pública se eu simplesmente começasse a incorporar melhorias sem ter de dizer antes como foi que eu cheguei lá. Nego ia me achar superevoluída sem ter de tomar conhecimento da fase negra. Mas achei que vocês gostariam de saber por que é que comecei a acordar às 5h da manhã para poder escrever e ir à academia antes do trabalho. Não é loucura. É uma determinação quase obsessiva para não deixar que a mediocridade me engula.


Lição de casa

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Seres humanos mais desenvolvidos do que eu podem partir para a vida com programas de estudo para sanar suas dificuldades específicas. Eles identificam suas áreas deficientes, elaboram um plano de ação e podem continuar a viver, porque suas falhas não são completamente debilitantes. Fazem-nas sofrer, sim; tornam suas relações mais complicadas, também. Mas não os paralisam. Eles conseguem tocar a banda conforme assimilam aos poucos aquilo que têm de aprender.

Eu não.

Minha falta de senso pro básico da vida é tamanha que eu deveria ser impedida de tentar progredir para qualquer outra lição, da mesma maneira que você não aprende equações de terceiro grau antes de aprender a somar e subtrair. Algumas pessoas não aprendem equações de terceiro grau nunca e talvez tenham problemas com, er, qualquer que seja a aplicação prática das equações de terceiro grau. Mas elas podem ir ao supermercado com suas noções matemáticas mais simples, a aritmética.

Se a vida fosse um supermercado, eu voltaria pra casa com troco errado todo dia. Meu caso é pro Mobral da alfabetização emocional.

Assim, inspirada pelo programa de estudo da Lila, decidi investir na minha incapacidade também. E vou começar pela mais simplória das aritméticas. Quem sabe, um dia, eu possa aspirar a aprendizados mais avançados.

#1: A vida não é justa.

A vida pode ser um monte de coisas, mas justa ela não é. Não adianta espernear, apelar pros céus, chorar até os olhos caírem, se indignar. Just fucking get over it.


Senhoras e senhores: com vocês, o gongo

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Não sou uma pessoa otimista. Meu copo, em geral, está não apenas meio vazio como lascado nas bordas. Mas eu deveria ser. Porque, pra ser honesta, a vida raramente me deixa na mão.

Semana passada Andy tirou a equipe do sério de vez. Total última gota. (Estou obcecada com copos, hoje.) Nossa rotineira indignação virou fúria sanguinária. Exigimos um pega-pra-capar com toda a chefia.

Estávamos atrás de castração, esquartejamento, a cabeçorra do nego numa bandeja. E estávamos, as três, preparadas para pedir demissão there and then.

O que não esperávamos era o Andy furar a fila. Aviso-prévio de três malditos meses, mas demissão, ainda assim.

O problema com a vida é que suas reações são meio retardadas. A salvação sempre me pega pelo rabo, depois de muitas arranhadas na tampa da caixa. Mais uma vez tive de chegar ao limite antes de me jogarem a corda.

Vamulá, vida, mais agilidade da próxima vez.


Amizade para dummies

Terça-feira, Abril 15, 2008

Como você reage quando um amigo insinua que a sua vida é chata? Você pára de falar da sua vida, ou pára de falar com o amigo?

E se parar de falar da sua vida, faz de conta que daqui por diante você só se interessa pela vida dele, ou inventa um assunto terceiro qualquer pra ele parar de achar que a sua vida é chata? Uma amizade ainda existe se você precisa fazer de conta que a sua vida e os seus interesses são diferentes do que realmente são?

Quando a vida de cada um toma um rumo diferente, é melhor ficar, pelos velhos tempos, ou fazer novos amigos que não achem que a sua vida é decadente?

Se você que me está lendo nunca se sentiu idiota nesse departamento, conselho grátis: escreva um livro e fique rico. E já ponha meu nome aí na fila de espera.